MMA infantil gera debates acalorados na China

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Updated: agosto 22, 2017

A Agência Internacional de Notícias, Agence France-Presse (AFP), com sede em Paris, informou recentemente que o Pear Video, um site de ´streaming´ chinês, lançou um documentário informando sobre um clube de MMA que adotou centenas de meninos órfãos e os está criando e treinando como lutadores.

A notícia reacendeu a polêmica sobre os confrontos de MMA envolvendo crianças e está proporcionando debates ferozes na China sobre a questão.

Um escritório de nível local do Ministério dos Assuntos Civis trouxe a maioria das crianças ao En Bo Fight Club, reivindicando os fundadores do ginásio. O En Bo Fight Club está localizado na cidade sudoeste de Chengdu.

Em 2015, haviam 500 mil órfãos na China, com apenas cerca de 5% adotados e apenas 20% sendo criados pelo estado, então essa deveria ser uma oportunidade excelente. Mas enquanto o aprendizado das artes marciais é uma ferramenta maravilhosa para que as crianças desenvolvam confiança e disciplina, lutar em um ´cage´ nos faz ponderar sobre essa situação.

As regras sob as quais as crianças competem, aparentemente, proíbem o uso dos cotovelos, mas, de outra forma, permitem socos e pontapés, em pé e no chão.

Segundo o documentário, a maioria das crianças do En Bo Fight Club vinha de vários grupos minoritários da China, incluindo os tibetanos. Em um editorial, o jornal Pequim News acusou o clube de explorar os órfãos. “Eles sabiam do direito à educação com base na lei enquanto as crianças foram submetidas a treinamento rigoroso para competirem em lutas intensas?”, perguntou o jornal.

Por sua vez, o Weibo, que é o equivalente da China ao Twitter, também proporcionou um debate feroz sobre o tema. Muitos acusaram que as lutas infantis são ilegais, enquanto outros sentiram que, sem o clube, os meninos acabariam nas ruas, com a possibilidade de recorrerem ao crime.

No documentário, Xiaolong, de 14 anos, disse que está feliz, pois agora ele está simplesmente alimentando-se corretamente. “Há tudo aqui – comida, roupas e um lugar para viver”, disse ele. “A comida aqui é muito melhor (do que em casa). Há carne e ovos, enquanto eu só podia comer batatas quando morava em casa”.

A polêmica em torno do MMA infantil já rendeu outros debates acalorados anteriormente pelo mundo. Em uma destas ocasiões, o presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, enfrentou resistência ao promover lutas infantis de MMA em uma edição do seu evento, ‘ World Fight Championship of Akhmat’ (WFCA), no qual seu filho de apenas 11 anos de idade era um dos competidores.

Recentemente, o estado norte-americano da Califórnia aprovou as competições de MMA infantil, desde que sob regras adaptadas. Em pé, socos e chutes só são permitidos do pescoço para baixo, e no chão só é permito a luta agarrada, sem socos e nenhum outro tipo de golpes traumáticos.

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Foto acima : Em um editorial, o jornal Pequim News acusou o En Bo Fight Club de explorar os órfãos em lutas de MMA infantil.

Abaixo : À título de curiosidade. Pessoas com menos de 15 anos são proibidas de lutar Muay Thai em Bangkok, (Lei de proteção à criança – 2003), embora o esporte faça parte da cultura da Tailândia. Contudo, é possível ver crianças de até 4 anos já lutando ao norte daquele país.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

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