Comming Up Next – A Luta da Noite: UFC 214 Anaheim (parte 1) DC vs Bones

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Updated: julho 29, 2017

O UFC volta a Anaheim com a edição 214 nesse sábado, dia 29 de Julho. E vem com o evento mais parrudo do ano – da até para postular que é um dos melhores eventos que a organização já fez, seja pelo acaso ou por planejamento.

O tamanho? Duas disputas de cinturões, protagonizando Daniel “DC” Cormier e Jon “Bones” Jones pela categoria Meio Pesado (até 93kg) e Tyron “The Chosen One” Woodley contra Demian “Mochileiro das Galáxias” Maia, pela categoria dos Meio Médios (até 77kg). E, o cinturão vago da categoria Peso Pena Feminino (até 66kg) será disputado pela brasileira Cris Cyborg e Tonya “Triple Threat” Evinger.

Além dessas lutas, que falam por si só, é fácil apontar outras três lutas que merecem total atenção.

  • Robbie “Ruthless” Lawler vai enfrentar Donald “Cowboy” Cerrone, num combate que caiu, e passou a entregar e engrandecer ainda mais o evento. A luta promete um ponto fora de curva de caos e brutalidade e, vai colocar um dos dois mais próximos de uma disputa pelo cinturão da categoria dos Meio Médios.
  • Jimi Manuwa o “Poster Boy” vai pegar Volkan Oezdmir na luta que deve eleger o próximo desafiante da raza categoria dos Meio Pesados.
  • Barão retorna ao Peso Galo (até 61kg) e enfr… não, ele não retorna. A Comissão Atlética do Estado da Califórnia impediu que o brasileiro se apresentasse na categoria forçando que a luta fosse feita em um peso combinado (63,5kg), devido a falhas consecutivas do ex-campeão. Ele enfrentará Aljamain “Funk Master” Sterling em combate que poderia recolocar um dos dois, de volta a categoria dos Galos.

Aqui, vou ser obrigado a dividir a coluna em dois. O motivo é muito simples, não posso simplesmente eleger uma única luta como aquela que será avaliada, quando se tem três lutas incríveis como as que encabeçam o evento. Por isso, nessa primeira parte falarei sobre a luta principal: Daniel Cormier vs Jon Jones.

Credito: Jeff Bottari

 

Sendo direto, o vencedor deve ser o atual campeão. É “DC” deve ganhar essa revanche. Mas antes que falem mal, vamos analisar os dois lutadores e a luta, para que vocês possam fazer isso no final!

Acredito que a inatividade do ex-campeão Jon “Bones” Jones será seu calcanhar de Aquiles. Como demonstrou quando teve de enfrentar OSP – graças à lesão de DC, na sua volta a ativa em 2016. Com ritmo de luta baixo, muito mais lento e com menos gás, ele não ofereceu muito risco para seu adversário, que apesar de dominado ainda pode levar alguns momentos de perigo para Bones. Se considerarmos que aquela luta foi realmente a pior apresentação do ex-campeão no UFC e, fingirmos que nunca aconteceu, posso dizer que ele não será o mesmo lutador que enfrentou, o mesmo, DC a mais de dois anos atrás, no dia 3 de Janeiro de 2015.

Bom, deixe-me falar primeiro sobre o desafiante ao cinturão; Jonathan Dwight Jones, também conhecido como Jon “Bones” Jones, tem 30 anos e estreou no maior evento do mundo em 2008. Desde lá perdeu apenas para si mesmo – é, porque não podemos considerar a derrota no cartel para Matt Hamill, apesar dela ser a primeira amostra da mal caratice que permeia sua vida como lutador.

Jones trilhou uma carreira vitoriosa no wrestler enquanto estudante, tanto no colégio quanto na faculdade – apesar de tê-la abandonado. Ele foi campeão estadual e campeão nacional da modalidade de luta agarrada. Até que decidiu rumar para o MMA.

O ex-campeão é dono de um jogo mortal, mas antes de falar dessas suas habilidades sinto que preciso falar sobre o próprio Jones e suas características físicas – que na minha visão é o diferencial  que o faz ser um lutador tão vitorioso e, para muitos, o melhor de todos os tempos.

Com 1,93 de altura ele é maior que boa parte da sua categoria – basicamente só há um lutador mais alto – e isso por si só já da a ele uma vantagem. Contudo, porém, sem dúvidas, possuir 2,15 metros de envergadura é sua característica física mais marcante. Isso se torna ainda mais incomum quando você para e procura sobre esses dados, dentro do top 15 e do plantel dos Meio Pesados. Jones tem pelo menos 10 cm a mais de envergadura do que todos os demais lutadores – na verdade; Jones tem a mesma envergadura de Stefan Struve que por sua vez é 20 centímetros mais alto que ele, um lutador da categoria de cima.

Credito: Cooper Neill

Treinado por Greg Jackson e, Mike Winkeljohn, líder da Jackson’n MMA, Jonathan se tornou uma máquina de lutar. O outrora wrestler da primeira divisão, tornou-se um trocador exímio, com arsenal técnico extenso, dominando o boxe e muay thai como poucos lutadores, incluindo aqueles que são originais de artes de “lutar em pé”. Jones aprendeu a se movimentar, cortas ângulos, avançar e a recuar, com Winkeljohn também aprendeu o jogo sujo; como os pisões no joelho e a dedada nos olhos dos adversários, que até hoje nunca renderam uma punição. Na academia também se tornou um ótimo grappler ao anexar em sua longa lista de conhecimentos marciais o Jiu Jitsu, que somado ao seu wrestler faz dele um perigo real em qualquer instância que a luta vá. Mas, na minha visão, a maior conquista para Jones enquanto aprendiz é a capacidade de manutenção de distância, que foi ensinada por seus treinadores – que repete isso com todos os atletas de sua academia. E é nesse momento onde a envergadura descomunal não superada por nenhum lutador dentro da organização torna-se a REAL vantagem dele. Simplesmente não é fácil toca-lo, somente lutadores com essa mesma característica conseguiram levar algum risco de forma regular ao ex-campeão (oi Gustavão) e, mesmo eles tiveram que superar a barreira e a qualidade das habilidades de manter a distância que Bones aprendeu e usa exemplarmente.

Como complemento, gostaria de falar do já citado Struve, o peso Pesado (até 120kg) que tem a mesma envergadura que o ex-campeão dos Meio Pesados. O Arranha-céu holandês não é conhecido por ser um lutador empolgante, ou que evita ser golpeado, deixando bem claro que ter a envergadura superior não quer dizer nada. E isso só mostra que o trabalho da Jackson MMA’s e Jones foi muito bom, ainda que também mostre que se não soubesse usa-la ele seria um alvo muito mais fácil de se achar e, quem sabe jamais seria apontado como melhor de todos os tempos. O que parece reforçar a teoria que a envergadura é a maior das vantagens que Jones tem sobre seus adversários – assim como a manutenção da distância que ela garante e, que “Bones” sabe usar muito bem.

O ex-campeão é um lutador ortodoxo, ou seja: imprevisível, sendo capaz de mesclar golpes, ângulos e alturas diferentes. Isso se agrava quando é somado ao grande alcance que além de permitir que ele se mantenha distante para atacar, facilita ao derrubar seus adversários. É, mas isso não é tudo, ainda podemos dizer que seu sistema defensivo é ainda melhor que o ofensivo, afinal não é só de manutenção de distância que se faz um Jon Jones; entrar, atacar e sair do raio de ação do adversário é fácil para ele, mover-se para os lados, evitando o ponto forte do oponente também é algo muito comum. No chão, quando por cima é capaz de aplicar uma enxurrada de golpes, que variam de socos a cotoveladas, de costas para o chão é flexível e sabe usar a guarda do jiu jitsu para se defender, ou mesmo para atacar. O ex-campeão dos Meio Pesados é um lutador cheio de armas e, diferente de muitos, sabe como usar cada uma delas.

Agora me deixe falar sobre o atual Campeão, Daniel Cormier (é, é sério, diferente da maioria, é só isso mesmo) o “DC” é um lutador de 38 anos, que adentrou as fileiras do UFC em 2015 ao derrotar o veterano Frank Mir, ainda pela categoria dos Pesados. Lutou nela até seu companheiro de treino, Cain Velasquez, voltar a ser campeão, movendo-se para os Meio Pesados. Apesar disso, o atual campeão dos 93kg já era conhecido do público (pelo menos o público de MMA), por ser campeão da categoria dos Pesados no Strikeforce, evento concorrente do UFC que foi absorvido pelo mesmo.

DC é, antes de ser um lutador de MMA, um atleta de nível mundial. A luta Olímpica o levou a lugares pouco visitados por outros atletas, mesmo os melhores. Como competidor foi aos jogos Pan Americanos e as Olimpíadas, onde obteve grandes resultados, incluindo o pódio, como por exemplo; o Ouro em Santo Domingo. Dizer que Daniel é um wrestler da primeira divisão, um All American, parece pouco quando se tem uma carreira como essa.

Credito: Josh Hedges

Sua carreira no MMA começou em 2009 quando assinou com o Strikeforce. Nela nunca foi derrotado, além de ser o último campeão da mesma, já que ela foi comprada pelo UFC. No Ultimate, o atleta já fez nove combates – bastante para quem está na organização há apenas quatro anos, e só foi derrotado uma vez, justamente por seu adversário, rival, nêmeses e antagonista, Jon Jones.

As características que se destacam em DC como lutador de MMA são sua resistência quase impossível (vocês devem se lembrar dele sobreviver a tentativa de assassinato que AJ aplicou no começo da primeira luta entre os dois), seu poder nas mãos, seu gás que é surpreendente quando falamos sobre sua habilidade na luta agarrada, que cresceu mesclando-se ao Jiu Jitsu. É um grappler poderoso, com baixo centro de gravidade, que faz uso da sua grande força e gás para dominar e abusar de seus adversários. Seu “dirty boxe” é muito poderoso, sendo recorrente em suas lutas, principalmente quando deseja cansar os braços de seus adversários, que costumam serem maiores – um detalhe interessante é que dada sua supremacia no grapling, ele leva outros lutadores de chão para a mesma posição, para que possa usar o mesmo jogo, que costuma terminar em uma queda ou no adversário cansado.

DC é um derrubador por excelência, sendo capaz de tornar qualquer aproximação fatal. Sua trocação, no entanto, não é uma extensão do seu jogo de quedas e grappling. O campeão é um bom trocador, lançando bons golpes em linha, aplicando sequências e overhands muito poderosos, quando joga seu peso. Sua técnica mais impactante em pé é seu uper de direita que tende a derrubar seus adversários quando conectado. Se sente confortável em trocar na curta distância, no infight, já que tem a opção de manter a troca de golpes ou derrubar. Uma vez no chão, ele é perigoso quando está por cima de seu oponente, sendo capaz de aplicar finalizações – já venceu por submissão, via mata leão, mais de um grande nome do esporte – ou surrar seu adversário com um GnP brutal.

Talvez vocês tenham notado que não falei dos “problemas” de cada uma dos atletas, certo?

Bom, tem um motivo, vou cita-los enquanto descrevo a luta como imagino que vá acontecer.

A luta tem dois caminhos muito concretos para correr. Na verdade são três, mas esse último virá nas conclusões finais.

1) Jones está parado a mais de um ano, se contarmos a apresentação mais apagada de sua carreira, como uma luta real. O peso de tanto tempo será cobrado por DC, que vem enfrentando os melhores e amadureceu como campeão e lutador desde que foi derrotado por seu algoz a dois anos. Por isso acredito que o atual campeão vai ser capaz de se impor fisicamente, principalmente depois do segundo ou terceiro round. Fazendo uma mistura de Dirty Boxing e quedas, vai frustrar e cansar um Bones sem ritmo e, ganhar em uma decisão unânime com saber doce. Nesse cenário, Jones está completamente a mercê de seu adversário graças ao seu corpo mais pesado e lento do que o de outrora, além da falta de costume da competição. Seus golpes e manutenção de distância devem funcionar por algum tempo, possivelmente no primeiro round, mas logo o seu gás cairá e ele, mesmo sendo um gênio no jogo defensivo, será encontrado por DC.

2) Tomado pela confiança o ex-campeão partirá para cima de seu inimigo, buscando fazer seu jogo de sempre, aplicando sua trocação imprevisível e derrubando quando a oportunidade surge. O primeiro round o fará acreditar que pode, pois vencerá no volume e na manutenção de distância. O segundo round será um verdadeiro golpe em seu ego, já cansado, tentará repetir a façanha da primeira parcial mas seu corpo o deixará na mão, sendo encontrado, atingido, derrubado e ferido por DC. No terceiro round, com a luta empatada, seu ego rasgado e seu psicológico deteriorado, ele se desesperará ao ser atingido – Jones nunca lidou bem com a pressão, golpes pesados ou domínios extensos de seus adversários, entrará em modo de fuga e será posto ao chão, lá brutalizado por Cormier, perderá por TKO.

Credito: Brandon Magnus

Mas Rodrigo, Jones é melhor de todos os tempos!

Ele talvez seja, mas um ano parado, aumento de massa muscular e muita confiança não costumam fazer bem a ninguém que joga baseado a velocidade e na manutenção de distância.

Jon Jones deveria fazer outra luta de aquecimento, como fez na sua primeira volta contra OSP. Aquela luta diz muito sobre essa, sobre velocidade, ritmo, precisão, força e resistência. Podemos ver até mesmo a frustração no jogo, durante o embate, e nas palavras após o término da luta. E se isso ocorreu com o limitado OSP, o que você pode esperar sobre uma luta direta contra o campeão? É difícil fugir da realidade, por mais que no papel, a polivalência de Jones seja superior às habilidades de Daniel, que já foi derrotado por ele uma vez.

O terceiro cenário, porém, da asa a essa possibilidade, com um Jones apesar de fora de forma, ainda superior conseguindo levar o atual campeão a derrota, em uma luta dura. O combate será parelho fazendo o desafiante e, ex-campeão, vencer nos detalhes; lançar mais golpes, atingir mais seu adversário, ter maior domínio do octógono, nesse momento a grande diferença de alcance (é sério, chega a ser ridícula, são 33 cm de diferença) e o sistema defensivo de Jones será sua principal arma contra o campeão, e número de queda aplicadas – mesmo que DC se levante em seguida, sem que haja a manutenção da posição. Isso implica até uma decisão dividida, caso o domínio não seja prolongado o suficiente. Por mais que mentalmente Daniel parece não ser tão instável, quando dentro do cage, Jones o tira de sua zona de conforto e isso pode ser usado contra ele.

Um nocaute, ou nocaute técnico é muito improvável, uma vez que na primeira luta entre os dois não aconteceu. E bom, se o DC suportou os tiros de canhão de Anthony Jhonson por duas lutas, não será Jones que será capaz de apaga-lo na base da mãozada na face.

Bom, é isso.

Eu espero que tenham gostado da leitura, sei que foi longa, mas não há como falar sobre o duelo sem falar muito. Se vocês não concordam, podem soltar o aço nos comentários e, se concordam, podem falar também. Estamos ai para isso.

Obrigado pela leitura e fiquem atentos para parte 2 que vem na sequência!

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